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17 de junho de 2007

Advogados na direção de empresas

Por Marco Antonio

O Consultor Jurídico publicou uma reportagem sobre um estudo interessante: Advogados ocupam direção de 9% das empresas. Essa informação é de um levantamento feito pelo coordenador do curso de Direito do IBMEC junto a 500 empresas de capital aberto registradas na Comissão de Valores Mobiliários.

O trecho abaixo resume um pouco as principais conclusões do levantamento:

As empresas do setor de têxteis e vestuário são as que mais contratam advogados para cargos de direção. Na seqüência, aparecem as de siderurgia e metalúrgica, de acordo com o levantamento. Quando se trata da participação em conselhos de administração, os setores de produtos duráveis e não duráveis são os que mais contratam. Em contrapartida, o setor de varejo e veículos e peças não contam com advogados na direção.

A reportagem traz uma tabela mais abrangente sobre a presença de advogados em empresas de vários setor, além de diversos comentários sobre a importância dos advogados aprenderem sobre negócios. Essa parte não é novidade, mas vejo como um importante reforço de um dos mantras que sempre repito por aqui: advogado de escritório tem que conhecer o seu negócio e o negócio do seu cliente. Se o advogado for de empresa, aí não é nem preciso dizer nada, pois conhecer de negócios é o mínimo necessário para se trabalhar em uma empresa.

Separei todos os trechos da reportagem que reforçam esse importante "mantra":

Mas a falta de visão para negócios e estrito conhecimento dos aspectos legais na formação dos advogados prejudica a ocupação do cume empresarial pela advocacia.

 Carlos José [conselheiro do CESA] diz que, de fato, falta orientação sobre administração para os advogados. No entanto, diz que uma visão empresarial é essencial para o profissional que pretende alcançar um cargo de direção. “Quem não conhece as estratégias de um bom negócio acaba perdendo espaço” (...)

O professor concluiu que o baixo índice de interferência dos advogados na condução de grandes empresas é resultado de fatores culturais e da formação técnica. É preciso que o profissional não se restrinja à doutrina, às leis e à jurisprudência — isto é, deixe o tecnicismo de lado — e passe a enxergar no seu entorno um panorama mais amplo, se quiser alçar uma posição de dirigente.

Saddi [coordenador do IBMEC Direito] diz que é preciso falar sobre administração para os advogados. Colocar essa matéria na pauta e no dia-a-dia desses profissionais é muito importante, não só para alcançar altos cargos, mas até para que possam gerir o próprio escritório.

É claro que o foco dos comentários é no advogado de empresa, mas o último trecho acima levanta um ponto importante para o advogado que trabalhar em escritório. Afinal, antes de conhecer o negócio do cliente, é preciso que o advogado entenda o seu próprio!

Comentários

Desculpa minha alienação, mas....
o que leva um advogado a querer dirigir uma empresas, uma vez que são coisas distintas, não seria melhor um curso de economia, contabilidade, afinal (ESSA E MINHA VISÃO, NAO TO DIZENDO QUE TO CERTO) direito não tem nada a ver com negocios.
Ntaum pergunto, o que leva um advogado a querer lidar com negocios?

Uma explicação simplificada seria que o advogado entende de algo extremamente importante para a realização de negócios (dos pequenos aos grandes), e que nem sempre os dirigentes conhecem ou estão bem assessorados. Um dos grandes desafios atuais nas empresas que têm departamentos jurídicos (e advogados) reside exatamente no departamento jurídico mostrar o seu valor estratégico para a empresa. Em muitas onde isso acontece, é comum o advogado responsável pelo departamento ocupar um assento na diretoria. Daí para a cadeira principal, considerando a importância estratégica do Direito, talvez seja só um pulo. De resto, considero que Direito tem tudo a ver com negócios. Afinal, para que serve Direito Empresarial, Tributário, Societários etc???

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Sobre o autor

  • Marco Antonio P. Gonçalves é administrador especializado em gestão e marketing para advogados e escritórios de advocacia, com oito anos de experiência no segmento de serviços profissionais.

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