O Pensamento e a Voz do Cliente Empresarial
Li uma interessante passagem do livro A Arte do Começo – o guia definitivo para iniciar seu negócio – do autor Guy Kawasaki e deparei-me com um interessante tópico sobre advogados. A opinião expressada no livro é, basicamente, a visão do cliente empresarial em relação ao advogado:
Se há uma forma de garantir que uma parceria não funcione, é pedir conselhos a advogados logo no início. Se fizer isso, vai ver que o número de motivos para não assinar um contrato sempre excede o número de motivos para assiná-lo. O negócio é concordar em nível comercial antes de incluir os advogados no assunto. Depois encontre um que genuinamente queira fechar negócios, não evitá-los, para determinar qual será o enquadramento jurídico mais adequado.
Muitos advogados encaram seu papel como o de “supervisor de adultos” que vai impedir que se fechem negócios desastrosos. Mas eles muitas vezes pensam que todo o negócio é ruim até que se prove que é bom. Evite esse tipo de advogado. Procure alguém que queira encontrar soluções para os problemas e prestar serviços a você, que é o cliente dele.
Depois de encontrar o advogado certo, é preciso colocar a situação sob o seguinte ponto de vista: “Eu quero fazer isso aqui. E seu papel é evitar que eu vá preso.” Bem diferente de perguntar: “Posso fazer isso?” (pág. 171)
A mensagem que pode ser extraída da passagem acima, excluídos os excessos do cliente, é que o advogado, além de utilizar o tradicional racioncínio-jurídico-orientado para solucionar os problemas do cliente, necessita desenvolver o raciocínio-negócio-orientado, a fim de entender a angústia do cliente. Este precisa ouvir uma análise dos riscos jurídicos do negócio a ser entabulado e as soluções jurídicas criativas que permitam a execução daquilo que ele, cliente, quer fazer. Enfim, antes de dizer “não” ao seu cliente, examine todas as possíveis soluções jurídicas e não jurídicas para o problema dele, tendo em mente que é mais fácil destruir negócios e novas idéias do que aperfeiçoá-las e executá-las em conformidade com os ditames legais. Crie alternativas de riscos moderados para execução do negócio.









Realmente, em muitas vezes o advogado atua como "entrave" aos negócios de seus clientes, esquecendo-se de se posicionar como um facilitador!
Excelente comentário dr. Lucas!
Abraço!
Escrito por Fábio Gonçalves Leal | 01/04/2008 07:33:50
Caro Dr. Fábio
Infelizmente somos treinados na faculdade para analisar as questões fáticas apenas pelo viés jurídico, esquecendo o conteúdo negocial, social, econômico, financeiro, etc., que também fazem parte dos problemas de nossos clientes. Enfim, carecemos de uma formação multidisciplinar.
Abraço!
Escrito por Lucas Cassiano | 01/04/2008 10:17:12
Lucas, parabéns pelo post. Realmente é um trecho muito relevante de um livro bastante conhecido sobre negócios. Já tinha lido um sumário faz um tempo atrás, mas creio que essa parte dos advogados ficou de fora. De resto, é o que sempre escrevemos por aqui: escritórios de advocacia devem ir além das questão jurídicas. Oferecer serviço jurídico ao mundo empresarial com foco apenas no serviço jurídico efetivamente agrega muito pouco.
Parabéns!
Escrito por Marco Antonio P. Gonçalves | 02/04/2008 08:54:18
Boa tarde,
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Muito obrigada.
Escrito por karen okuma | 02/03/2009 17:12:04