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27 de agosto de 2008

1140 vitórias em 1250 casos julgados!

Por Marco Antonio

Segundo a regulamentação de ética em vigor, não é possível a um escritório garantir e/ou prometer resultados em sua divulgação (seja ela de qual tipo for). Correto, afinal garantias explícitas poderão ser consideradas enganação ou algo mais...

E quanto a apresentar o histórico de vitórias do escritório em litígios?
Pelo menos em termos de números gerais, vitórias e derrotas? É aceitável? É ético?

Quinnemanuel

O Quinn Emanuel, um dos maiores escritórios norte-americanos em faturamento (creio que atualmente seja o segundo) faz exatamente isso. Os visitantes de seu site são recebidos com a informação de que o escritório conta com mais de 400 advogados especializados unicamente em contencioso e que já ganharam 1140 (91,6%) dos 1250 casos nos quais representaram seus clientes. Um percentual histórico sólido que, certamente, deve ter bastante peso na hora de um potencial cliente decidir por sua contratação.

Uma visita ao site do Quinn Emanuel revela mais detalhes dos casos vitoriosos, incluindo nomes de clientes, testemunhos e detalhes numéricos sobre casos, que claramente violam as nossas regras éticas. Mas se a divulgação for apenas do percentual histórico de vitórias, como fica? Pela nossa regra, não há nada que vá de encontro a divulgar esse número. Qual a sua opinião?

Comentários

"A justiça pode ser cega, mas ela vê o nosso lado em 90% dos casos" é um ótimo slogan!!!

"E quanto a apresentar o histórico de vitórias do escritório em litígios? Pelo menos em termos de números gerais, vitórias e derrotas? É aceitável? É ético?"

Eu acredito que não haja problema algum na divulgação destas estatísticas. Se bem que pode ser enquadrado como uma forma de captação de clientes.

Já favoritei o site para visitá-lo com mais calma em outra oportunidade.

Eu que sou um pouco conservador adorei a forma como o escritório divulga as suas informações. Eles se utilizam das informações de uma maneira agradável que não torna o site apelativo.

Em vez de afirmar que são a maior ou melhor firma de contencioso do país, eles mostram os dados que farão com que os potenciais clientes pensem nisso.

Fantástico!

Seria interessante buscar um parecer do conselho de ética de cada seccional e ter certeza antes e usar tal estratégia, porém se seu fosse conselheiro estaria tudo legal. Afinal, essa regra de marketing jurídico no Brasil precisa ser repensada.

Considero ético, porém pouco ilustrativo da qualidade real do advogado ou banca.

Ganhar ou não uma causa, hoje em dia, não depende somente de capacidade técnica do advogado, perseverança ou até mesmo bom relacionamento no Tribunal.

Temos alguns magistrados muito despreparados, que julgam de forma omissa ou covarde, sem coragem de enfrentar uma nova tese para não se distanciar do entendimento já pacificado do tribunal que faz parte. Isso sem falar de outros problemas comuns a todos os colegas...

Outro fator que implica no resultado do processo e que independe da qualidade da banca é o tipo de cliente. Vejamos: bancas que advogam para operadoras de saúde, por exemplo (como a nossa), o percentual de êxito destas empresas gira em torno de 5% dos processos ativos. Trata-se de uma discussão sobre um direito que sobrepõe os interesses empresariais e, invariavelmente os advogados que defendem estas empresas perdem boa parte destes processos.

O advogado é ruim? O que só advoga para consumidores ou empregados e ganha 80% das causas é melhor? Considero que não podemos tomar por base estas características para aferir qualidade! Seria injusto!

Quem trabalha com advocacia empresarial sabe do que estou falando!

Logo afirmo: CLIENTES, TOMEM CUIDADO! O melhor advogado não é necessariamente o que mais ganha e sim aquele que diligencia o processo, não o deixa parado, se preocupa com a tese empregada, se atualiza e lhe dá a atenção necessária!

Abs.

Janaina Bastos
Advogada

Em tudo existe um todavia, entretanto, porém, haja vista. Tudo.

Mas os números não mentem.

A banca revela em seu site que "We are the only firm in the United States that has won three nine-figure verdicts in the last five years. We have also obtained four nine-figure and  two ten-figure settlements in the same period".

Como é possível contestar esses números?

Quando eles falam que "Our lawyers have tried over  1245 cases and won 1140" podemos analisar sobre outro aspecto.

Acredito que esses números demonstram a inequívoca COMPETÊNCIA dos seus advogados, pois mesmos os casos mais simples podem ser perdidos por advogados INcompetentes.

Além disso, esses números demonstram que a banca não aceita QUALQUER caso, mas apenas aqueles casos em que ela vê alguma CHANCE de vitória. Ou seja, ela não engana os clientes.

Se olharmos na seção "who we have won it for" vemos que a banca também defende inúmeras empresas, e não só pessoas físicas.

Em suma, o site oferece uma vasta gama de informação para que os seus potenciais clientes possam aferir a sua qualidade.

Como diz o Jordão:

QUEBRA-TUDO!


Essa página é a mais fantástica! As notícias voam na tela, bem rápido. Não há como não pensar neles como os "melhores", à parte a justiça dos parâmetros.

Ermiro, sem dúvida o site é muito bom e foi criado para mostrar que eles falam e fazem.

É uma realidade mais avançada do que a nossa, mas entendo que os escritórios brasileiros desperdiçam ótimas oportunidades para se venderem melhor em seus sites na internet, mesmo com as restrições em vigor.

Janaina, concordo com suas ponderações, mas os números históricos do escritório são uma ferramenta incontestável de marketing, sem falar que o escritório está falando do que já fez. Não há nenhuma promessa futura, mas com certeza o histórico bem-sucedido soa como vitória garantida para aqueles que tomam conhecimento do escritório.

Considerando a posição desse escritório no mercado norte-americano (segundo em faturamento), alguma coisa eles devem estar fazendo direito.

Eu pessoalmente gosto desse estilo mais agressivo de marketing. Considero que muita coisa poderia ser feita por aqui, dentro das nossas regras, mas a maioria dos escritórios acaba preferindo fazer o que todo mundo faz e sempre fez. É assim com os sites, informativos, brochuras etc. Exceções existem, mas, em linhas gerais, está faltando ousadia por aqui.

, não está prometendo nada. Para o tipo de caso com o qual eles lidam, e já sendo conhecidos como eles são, esse marketing

Marcelo, estou com você. Quebra tudo!

João, entendo que, pela regulamentação em vigor, não há nada que impeça de se falar do histórico estatístico de vitórias nos casos tratados pelo escritório. O que não é possível é detalhar os casos citando nominalmente o cliente.

Por outro lado, falar por alto de casos ganhos representativos talvez seja uma boa opção (mencionando indústria, tipo de caso, montante etc). Se não for algo para se colocar no site, que seja então colocado em um material entregue em reuniões com potenciais clientes.

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Sobre o autor

  • Marco Antonio P. Gonçalves é administrador especializado em gestão e marketing para advogados e escritórios de advocacia, com oito anos de experiência no segmento de serviços profissionais.

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    Estudante de direito, voltado para estudos sobre questões de Direito e Informática e autor do blog Info & Lei.

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