Abaixo o juridiquês!
Na semana passada a Gazeta Mercantil publicou a matéria Advogados infringem leis da gramática, sobre o velho problema dos abusos de juridiquês pelos advogados. Afinal, se podemos complicar, por que simplificar?
Pela simples razão de que o mundo de hoje é extremamente acelerado e fazemos muito mais ao mesmo tempo do que no passado. E deve ser assim para todo mundo, inclusive para os clientes e para o juízes. Quer que o cliente entenda você? Fale/escreva no idioma dele. Quer que o juiz analise e decida com mais rapidez? Seja objetivo e vá direto ao ponto!
Chega de criar barreiras, pois isso não leva ninguém a lugar nenhum. É nesse sentido que gosto muito de um texto de um norte-americano que comentei aqui no marketingLEGAL já há um bom tempo: Por que homens de negócios não gostam de advogados.
Seguem trechos selecionados da matéria da Gazeta:
"Quanto mais claro e conciso forem os textos, o resultado de um julgamento, por exemplo, será mais ágil e fácil", constata o juiz Fernando Mattos, presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). Ele afirma que os textos jurídicos estão evoluindo. "Principalmente em juizados especiais vemos linguagens mais concisas."
Já o advogado Rodrigo M. Carneiro de Oliveira, do Pinheiro Neto , diz que alguns termos são necessários porque são ricos em conteúdo. "Como o texto tem que ser mais curto e direto, há expressões propícias direcionadas somente a magistrados. O erro mais comum, na verdade, é não haver uma adequação conforme o público", diz.
(...) os próprios clientes (cada vez mais exigentes e com mais alternativa de bons profissionais no mercado) fizeram os advogados mudarem a postura e escrever de forma clara e objetiva.
(...) "O uso de expressões em latim podem simplificar petições, por exemplo." O presidente da Ajufe discorda. Para ele, não há necessidade de expressões em latim ou inglês (outro modismo adotado pelos advogados). "Não é verdade que o uso simplifica o texto ou a fala. É importante saber desde a faculdade, mas a tradução para o português é suficiente", finaliza Mattos.









Sou advogada, professora de Língua Portuguesa e professora de Latim, pós-graduada nas áreas e posso afirmar que o Latim não é língua morta como muitos ainda insistem em dizer, visto que muito do que falamos possui em essência os radicais latinos. Nossa lei, nossa própria cultura jurídica são provenentes do uso latino. Entretanto, a justiça e o próprio direito devem ser transparentes e inequívocos a todos! Muitos profissionais há que usam e abusam de expressões em latim, sem sequer saber o que dizem, por mera repetição. Julgo ser um impropério utilizar tal idioma de maneira aleatória e pedante, sem necessidade. Se alguns são puristas no uso do latim, deveriam se preocupar ainda com a correta pronúncia das palavras! O que ouço de alguns que se lançam como latinistas é um verdadeiro horror!
Creio, portanto, que como o Direito é por si tradicional, não há necessidade de se extinguir o uso do latim ou que se critique sobre sua utilidade, mas tudo com moderação!
Devemos nos preocupar é com outra questão: o uso inadequado do Português por diversos colegas. Melhor dizendo, uso grotesco do idioma! é um verdadeiro homicídio doloso!!
Com diziam os romanos, "Ex toto corde",
Flávia Rodrigues
Escrito por Flávia Rodrigues | 24/09/2008 21:25:11