Cultura Garantia em escritórios de advocacia?
Daria certo? Já existe algum escritório brasileiro que replica a famosa cultura do Garantia com sucesso? Bom, eu não faço a menor idéia, mas tive a oportunidade de ler recentemente a extensa matéria publicada na revista Época, edição de abril de 2008, sobre a cultura corporativa revolucionária criada pelos empreendedores brasileiros Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.
A matéria O legado de Lemann está livremente disponível no site da revista e, apesar de ser bem extensa (páginas e mais páginas), a considero de leitura obrigatória, principalmente para quem trabalha em escritórios de advocacia, especialmente os familiares. Portanto, vá no site, imprima, reserve um tempo e... desfrute!
Seguem alguns poucos trechos selecionados, como aperitivo:
(...) o ideal de Recursos Humanos de Lemann: "As pessoas devem ser de alta qualidade. Para isso, selecionamos os melhores e os treinamos bem. Todos participam dos lucros, e oportunidades estão ao dispor dos que trabalham no Garantia e se provam". O "se provam" é o "xis" da questão. Premiar os melhores funcionários e dispensar os que não dão conta do recado é um darwinismo corporativo tão velho quanto o capitalismo.
Lemann é citado na mesma obra [Como Fazer uma Empresa Dar Certo em um País Incerto, publicado pelo Instituto Empreender Endeavor], dizendo: "Eu sou a favor de sócios. Tive sócios a vida inteira e isso me ajudou muito (...). Nós três conseguimos fazer muito mais do que conseguiríamos separados".
(...) "esforço não é resultado". Não importa o quanto alguém se empenhou numa tarefa ou o que fez para cumpri-la. O que conta, ao fim e ao cabo, é se o objetivo inicial foi atingido ou não.
(...) esse regime de dedicação integral à empresa, foco nos resultados e expectativa de bônus milionários não é para todo mundo. A respeito disso, ele toma emprestado o lema dos marines americanos: "Few and Proud" ("Poucos e Orgulhosos").
(...) Lemann gosta é de gente ambiciosa mesmo. Quem já o teve como entrevistador em um processo seletivo profissional por certo ouviu perguntas como "qual é a sua meta pessoal?" ou "onde você quer chegar?". Ele diz que, nessas ocasiões, procura o "brilho nos olhos".
Desde o início, Lemann impôs em seu banco o predomínio do coletivo sobre o individual. A mensagem a transmitir era de que o resultado dependia igualmente de todos: dele ao menos graduado dos funcionários de retaguarda.
Uma das características mais marcantes da "cultura Garantia" é sua sem-cerimônia em copiar bons exemplos. (...) "Vale muito mais uma lógica boa, uma execução boa, do que qualquer inovação brilhante", disse Lemann, anos atrás. "Você tem de se preocupar com a inovação. Mas se tem alguém fazendo bem, melhor não gastar muito tempo procurando como fazer. Vai lá, olha e adapta da sua maneira, e pronto."
(...) Lemann parece ser sincero quando diz, em círculos íntimos, que não se considera dono da "cultura Garantia". E que seu maior mérito teria sido conhecer seus pontos fracos e se cercar de gente melhor do que ele para compensar tais deficiências. Melhor, note bem. E não descendente, herdeiro ou apadrinhado. Nunca ninguém da família Lemann trabalhou nas suas empresas como executivo. Jorge Paulo tem a convicção de que, no momento em que familiares entram na meritocracia, o modelo se distorce, se corrompe.
Jorge Paulo Lemann gosta de pensar (...) que sua maior contribuição pessoal ao meio empresarial brasileiro terá sido a cultura do "sonho grande". O estímulo aos homens e mulheres de negócio que desejam construir algo excepcional e que se movem por esse ideal. Se o sonho é pequeno, ele costuma dizer, você se perde no meio do caminho. Com picuinhas. Daí uma das raras frases de efeito que se atribuem a este capitalista de muita ação e poucas palavras: "Pensar pequeno e pensar grande dá o mesmo trabalho. Mas pensar grande te liberta dos detalhes insignificantes".









"Pensar pequeno e pensar grande dá o mesmo trabalho. Mas pensar grande te liberta dos detalhes insignificantes"
Toda semana alguma das revistas semanais deveria fazer uma longa entrevista como essa com os profissionais de sucesso do nosso País.
Nada melhor do que ler e ouvir os conselhos de alguém que alcançou o topo.
Escrito por Marcelo Vanderlinde | 11/09/2008 08:52:29
Marcelo, sem dúvida a sua sugestão é muito pertinente. A questão é realizar reportagens com a mesma qualidade dessa publicada na Época que é, realmente, excelente. É melhor do que muito livro que tem por aí e altamente inspiradora, ainda que nem tudo sejam flores.
Escrito por Marco Antonio P. Gonçalves | 15/09/2008 09:33:21